‘Pureco’ oferece oportunidades de trabalho e incentiva o empreendedorismo feminino em comunidade na região dos Amarais. Idealizadores pretendem expandir o projeto.

 

Um aplicativo desenvolvido por alunos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) auxilia mulheres do município a encontrar oportunidades de emprego. O “Pureco”, lançado em abril e com aproximadamente 300 downloads, é voltado para moradores da região dos Amarais e do distrito de Barão Geraldo. A tecnologia, segundo os idealizadores, pretende conectar mulheres à demandas de serviço de faxina.

Voltado para o empreendedorismo social e o empoderamento feminino, o aplicativo conseguiu, em um mês de funcionamento, oferecer trabalho para mulheres que estavam desempregadas e atuavam como empregadas domésticas no Jardim Santa Mônica.

Adalgisa da Silva Rocha, de 42 anos, é uma das mulheres que oferece o serviço no aplicativo. Depois de ficar um ano desempregada, ela conseguiu melhorar de vida com a ajuda do projeto. “Foi maravilhoso, eles [os estudantes] vieram na minha vida na hora que eu mais precisei, que mais estava desesperada, com as contas atrasadas e problemas em casa”, declara.

Desde o início do projeto, Adalgisa faz de duas a quatro faxinas por semana. Segundo ela, o retorno do “Pureco” tem pagado suas despesas.

“Eu que sustento a minha casa e consigo manter três pessoas com as faxinas. Tenho o suficiente para pagar minhas contas e comprar tudo o que precisa”, conta.

A ideia

A iniciativa surgiu em 2013 e o aplicativo começou a ser desenvolvido no começo de 2017. O estudante de Engenharia Química da Unicamp Felipe Mourão afirma que, ao analisar a demanda da comunidade, percebeu que o serviço de limpeza era algo que a maioria das mulheres da região faziam quando estavam desempregadas.

“Ao mesmo tempo que percebemos essa demanda das mulheres, vimos que as pessoas na região da Unicamp tinham dificuldade de encontrar faxineira”, diz.

Para descobrir o público-alvo e a forma de cobrança do serviço, os alunos realizaram uma pesquisa de análise de mercado nas casas em Barão Geraldo, distrito da área de cobertura do “Pureco”. A partir do estudo e de uma conversa com as moradoras participantes, a média de preços das faxinas foi estipulada. “A gente sempre busca encontrar a necessidade delas e adequar o projeto à essa realidade”, afirma Renê Siqueira, estudante de Engenharia Mecânica da universidade.

Para agendar a limpeza, o usuário preenche campos como data, horário, cômodos a serem limpos e se é preciso lavar a roupa ou a louça, por exemplo. O pagamento é feito em dinheiro, após o término do serviço.

Para o agendamento da faxina, o usuário preencha com campos com dia, horário e cômodos a serem limpados (Foto: Jade Castilho/G1) Para o agendamento da faxina, o usuário preencha com campos com dia, horário e cômodos a serem limpados (Foto: Jade Castilho/G1)

Para o agendamento da faxina, o usuário preencha com campos com dia, horário e cômodos a serem limpados (Foto: Jade Castilho/G1)

Adesão ainda baixa

De acordo com os estudantes, o projeto pretende consolidar o aplicativo e expandir para outras regiões. “A princípio, a gente está com um número baixo de mulheres, mas a ideia é, conforme for estruturando o aplicativo, chamar novas mulheres da comunidade”, explica Mourão.

Uma cartilha com todas informações do aplicativo e como é o funcionamento foi elaborada pelos alunos, além de panfletos e ações na própria Unicamp para a divulgação do trabalho.

“Nós também demos treinamentos sobre tecnologia, autoestima e empreendedorismo para que elas possam gerir o projeto sozinhas depois”, relata Fernanda Ferreira, aluna de Engenharia Civil.

Empoderamento

Aos 54 anos, a vendedora autônoma Maria José do Nascimento viu no “Pureco” uma fonte segura de renda com o agendamento das faxinas.

“O aplicativo está sendo uma bênção, tinha muito tempo que eu estava parada. E ele facilitou muito, porque as pessoas conseguem ter a nossa referência, nossa documentação e confiam mais na gente”, diz.

Com a visibilidade do projeto e o aumento da demanda dos serviços de limpeza, Maria José acredita que o aplicativo ainda vai crescer muito. “Eu creio que vai ser um sucesso muito grande e que logo logo a gente nem vai dar conta das faxinas”, brinca.

‘Deixando história’

A relação entre os alunos da Unicamp e os moradores do Jardim Santa Mônica é intermediada por Maria Nazareth de Oliveira, de 70 anos, líder da comunidade. “Moro aqui há 28 anos e muitos projetos já passaram por aqui, mas esse tem um vínculo muito forte com a gente”, pondera Dona Naza, como é conhecida na região.

Ela ainda lembra que já presenciou várias iniciativas de estudantes, mas essa tem sido especial para a comunidade. “Cada um que aparece, eu vejo o empenho de deixar as mulheres com autonomia, porque esse projeto é delas e não deles, e todos os que estão passando estão deixando história”.

Renê, Fernanda e Dona Naza criaram um vínculo após o desenvolvimento do projeto (Foto: Jade Castilho/G1) Renê, Fernanda e Dona Naza criaram um vínculo após o desenvolvimento do projeto (Foto: Jade Castilho/G1)

Renê, Fernanda e Dona Naza criaram um vínculo após o desenvolvimento do projeto (Foto: Jade Castilho/G1)