O presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, participa de uma audiência no Senado dos Estados Unidos nesta terça-feira (10) para prestar esclarecimento sobre o escândalo do uso inadvertido dos dados de 87 milhões de usuários pela consultoria política Cambridge Analytica e as formas como a rede social protege a privacidade em sua plataforma.

A audiência conjunta é realizada entre os comitês de Justiça e do Comércio, Ciência e Transportes, ambas do Senado dos EUA. Na quarta, será a vez da Câmara dos Deputados. Lá Zuckerberg falará diante do Comitê de Energia e Comércio.

“Estamos aqui por uma quebra de confiança”, afirmou o senador John Thune, presidente da comissão de Comércio, Ciência e Transportes, em seus comentários iniciais. “Uma das razões para tantas pessoas estarem preocupadas com isso é porque isso diz sobre como o Facebook trabalha.”

Para ele, o “Sonho Americano” de Zuckerberg, ao criar o Facebook, pode se tornar um “pesadelo de privacidade” para americanos.

Outro senador a falar foi Chuck Grassley, presidente do comitê de Justiça. “Assim como a expansão da base de usuários, os dados coletados pelo Facebook de seus usuários também decolou”, comentou.

Pressão

A ida de Zuckerberg ao Congresso dos EUA ocorre na esteira do escândalo da manipulação indevida de dados de 87 milhões de usuários pela Cambridge Analytica, consultoria política que trabalhou para Donald Trump durante a corrida eleitoral de 2016 e na campanha para a saída do Reino Unido do Brexit.

A forma como as informações foram obtidas pela empresa britânica colocou no centro da discussão o modelo de negócio do Facebook e de outras empresas de tecnologia, que coletam, processam e armazenam dados de seus usuários para segmentar a distribuição de anúncios.